Eu era uma filha sem pai. Minha mãe me sustentava sozinha, eu e
mais dois irmãos. Ela sabia quem era meu pai, mas não contava a ninguém.
Primeiro dia de aula na nova escola. 4° Série. Era uma escola
particular, minha mãe havia lutado por aquela bolsa de estudo. Meu uniforme
estava gasto, ele havia sido do filho da patroa de minha mãe. Ela me levou até
a porta da escola, me deu um beijo e me viu entrar na escola, quase chegando à
porta olhei para trás e vi uma lágrima descer do seu rosto. Tive vontade de
voltar e lhe dar um abraço, mas aquela multidão de crianças me arrastou para
dentro. Se eu voltasse perderia o primeiro dia de aula o que não a deixaria nem
um pouco feliz.
Vendo que eu estava perdida o porteiro me ajudou a encontrar
minha sala. Quando cheguei à sala encontrei um lugar na terceira fila e me
sentei. A professora e os alunos olhavam para mim de um jeito estranho,
envergonhada abaixei a cabeça e só a levantei quando a professora começou as
apresentações. Ela queria saber o nosso nome, idade, de quem éramos filhos e de
que escolas vinham. Todos respondiam a todas as perguntas, a maioria dos alunos
era filho de médicos e advogados famosos. Porém isso mudou quando chegou
minha vez. Disse meu nome; Larissa, minha idade;9 anos, falei o nome de minha mãe; Carmen e da escola
de onde eu vinha. A professora perguntou o nome do meu pai, eu disse que
não sabia quem era meu pai, foi quando toda classe olhou para mim de um jeito
muito constrangedor. A professora percebeu ai que era eu a bolsista do quarto
ano. Isso tudo me deu uma sensação tão ruim que minha vontade era de sair
daquele lugar correndo e ir para um lugar bem longe. Mas eu sabia o quanto
minha mãe havia batalhado por aquela bolsa, ela havia deixado de pagar a conta
de luz para pagar a primeira prestação dos materiais, se eu abandonasse a
escola minha mãe sofreria muito.
Quando tudo parecia se acalmar chegou à hora do recreio. Todas
as meninas da minha sala tinham um porta lanche de princesa. Eu não tinha. Elas
tiravam de dentro dela sanduíches elaborados, eu procurei na minha mochila e lá
havia uma maça que minha mãe tinha colocado. Depois de comer fui tentar amizade
com as meninas da minha sala Bruna, Sara e Izabelle, mas quando cheguei perto delas e tentei puxar
assunto elas me olharam de cima á baixo. Já entendi o que elas queriam me
mostrar com aquele gesto, mas não parou por ai, as ouvi dizerem:
-Nossa! Que menina nojenta!- Izabelle disse
A Bruna ainda disse:
-Ela é a bolsista. Olha só o uniforme dela, parece que foi usado
por outra pessoa e a mochila então!- todas elas começaram a rir, provavelmente ela sabia disso pois era neta da diretora da escola.
Não sei se elas achavam que eu não escutava ou se faziam aquilo
propositalmente para eu ouvir. Voltei para minha carteira me sentei e
abaixei a cabeça. De repente o sinal toca e todos os alunos voltaram para a
sala. A professora passou na lousa exercícios para resolvermos. Depois que
todos acabaram as atividades a professora deixou que guardássemos os materiais.
O sinal tocou e todos os alunos saíram correndo das salas. Eu fui a ultima a
sair da escola.
Como já esperava minha mãe me aguardava do lado de fora da
escola. Ela pegou minha mochila e me perguntou:
-O que você achou da escola?
Para não desapontá-la me limitei a falar que havia gostado.
Chegamos em casa e fomos almoçar.Minha mãe havia feito arroz,
salada e feijão. Depois do almoço minha mãe foi trabalhar, eu fui fazer a lição
e meus irmãos estavam na creche.
Dia após dia tudo se repetia, as meninas da escola ainda diziam
coisas sobre mim. Eu continuava a fingir que não estava ligando até que veio o
Ensino Médio. Tudo então mudou;pra pior..
Série de Minha Autoria.
Irei postar uma nova parte toda Terça-Feira...







